OUTRO MUNDO .
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OutroMundo entrevista: Correria.




OutroMundo: Como e quando voce começou a fazer rap? Qual foi seu primeiro contato com o som?

Correria: Comecei a ouvir rap em 1998. E comecei a cantar no ano de 2002, mas não era nada serio. No começo eu só cantava por cantar mesmo, e nem cantava tanto assim! Escrevia pra mim mesmo e mostrava pros meus amigos. Aí cantava sempre dentro dos onibus. Aquele momento era o meu show!


OutroMundo: Sobre o single "Show De Rap"... Onde foi gravado, mixado, quem produziu?

Correria: Certo dia, la em salvador ainda, colei na casa do meu parceiro diego 157, e ele me mostro a base. Na hora gostei do beat!
Gravei a musica la no estudio do meu mano Projota. Ele mesmo mixou o single.


OutroMundo: Sei que esse mês sai um novo single. Pode adiantar alguma coisa sobre ele? Qual o nome, quem produziu, onde foi gravado?

Correria: Sobre o novo single, não tenho certeza ainda de qual musica vou soltar na rua. Mas tá mais entre duas que tô pensando em colocar. As produções, uma é do Projota e outra do Laudz lá de Curitiba.


OutroMundo: Os singles sao 'prévias' de qual trabalho?

Correria: O single que vou lançar vai ser uma prévia do EP que vou colocar na rua em novembro.


OutroMundo: O que você pode adiantar do seu EP? Vai ter participação de quem? Quem vem produzindo, rimando, quantas faixas serão?

Correria: O que posso adiantar é que vai ser um trabalho feito com muito carinho e muito respeito as pessoas que vão ouvir essa trabalho.

OutroMundo: Depois, ou paralelo ao EP, quais são os seus projetos?

Correria: SÓ DEUS SABE MANO! rssss.

OutroMundo: O que foi ter participado da MixTape "Projeção" do Projota. Como foi essa parceria?

Correria: Foi muito foda porque nunca pensei que um dia iria fazer uma musica com o Projota. E acabamos virando amigos e hoje tamo muito ligado mesmo pelo fato que trabalhamos juntos. Quando o Rashid veio com a parte dele foi mais foda ainda. Os dois caras que eu mais adimiro. Tive a honra de fazer uma musica com eles, não tenho como expressar esse sentimento.


OutroMundo: Quais sao suas influências na musica em geral?

Correria: Escuto muito  rap mesmo, mano! Quando não tô ouvindo rap, tô ouvindo musicas gospel. Preciso escutar mais coisas...


OutroMundo: "Viver de Rap no Brasil". O que voce vê disso? Acha possível?

Correria: Sim, sim, lógico que é possivel. Vivo disso! Não que eu esteja ganhando milhoes com o rap. Mas pago meu aluguel com a grana que vem dos shows e das vendas do meu CD. É a melhor coisa que um MC pode conquistar. Viver das suas musicas. Mas pra mim ainda falta muita coisa.


OutroMundo: Bom, muito obrigado, mano. Esse é o seu momento para deixar recados, links, contatos...

Correria: Quero agradecer o espaço para poder falar sobre o meu trabalho. E também deixar um salve especial pra voce que tá lendo essa entrevista. Nunca deixe ninguem falar que vc não é capaz, que voce não consegue. Voce é sim! Voce pode! Voce consegue! Basta voce lutar e acreditar, pois eu acredito hein voce! Que Deus abençoe voce cada dia mais. E lembre de Deus a cima de qualquer coisa!
A FAVELA É NOSSA! A RUA É NOIZ!


CONTATOS: 
E-MAIL: afavelaenossa@hotmail.com
ORKUT: correria_mc@hotmail.com 


UM SÓ CAMINHO...

Escute o single "Show De Rap". Clique aqui! 


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OutroMundo entrevista Now-Z + Single "2Mil E Sempre"

Salve! Voltamos as atividades normais agora, depois de um tempo sem postar...
E pra voltar bem, venho com uma entrevista e um single novo pra voces. É do Now-Z, MC junto com a Track Cheio que ta preparando o lançamento da sua mixtape Now-Zias Vol. 1. Se liga.




OutroMundo: Se apresente ae. Quem é NOW-Z?


Now-Z: Sou o nariz na rua. O Robin para minha mae. E o NOW-Z no microfone. 

OutroMundo: Como e quando voce começou a fazer rap? Qual foi seu primeiro contato com o som?


Now-Z: Foi andando de skate em um pico em Joinville, minha cidade. Eu escutava um som durante a sessão, vi os manos mandando um tal de freestyle e vi o que era, e comecei tambem. 

OutroMundo: Voce esta prestes a lançar um single. Fale um pouco sobre... Onde foi gravado, quem produziu?


Now-Z: To lançando ai o "2mil e Sempre" com produção do Thiago Pródigo, do Savave, que foi gravado na Track Cheio.


OutroMundo: O single é uma prévia do que esta por vir na mixtape "NOW-Zias Vol. 1". Quem esta produzindo, mixando, quais as participaçoes? Nos conte um pouco do processo.


Now-Z: NOW-Zias Vol. 01 ta pra sai agora em 2010, com produções de varios manos do som ai: Cabes, Pródigo, Cilho, Spektrum , Laudz, Selecta kbc, Murf, B.Face, Dario, Nave e mais alguem se der tempo. 
Gravado la no Cabes, mixado e masterizado por ele. E toda escrita por mim com surpresas nas participações. E o DJ que vai mixar a mixtape é o Cae Traven.

OutroMundo: Como fluiu seu envolvimento com a Track Cheio, mano?


Now-Z: Acho que posso falar que sou um integrante dessa equipe, que trabalha pelo rap, onde cada um faz sua parte.

OutroMundo: Voce tem outros projetos paralelos ao EP, ou este é o foco no momento mesmo?


Now-Z: Esse é o foco no momento mas já tenho outros projetos nos quais pretendo trabalhar depois da Mixtape.


OutroMundo: Se inspira em que para compor, produzir... ?


Now-Z: Po, mano! Posso falar que é no cotidiano, no que eu vivo, no que eu vejo, no que sinto e tambem no rap dos amigos.


OutroMundo: O que voce tem escutado ultimamente? 


Now-Z: Coletanea Track Cheio e a mixtape UpGround Beats. A nova do Ogi - Premoniçao. Flora Matos vs Stereo Dubs, Alienação Afrofuturista - Fast Lane e Feliz Dub Triste. E uns beats pesadoes ai dos trutas.

OutroMundo: Mano, valeu pela entrevista! Parabens e muita luz nos seus trampos. E esse espaço é teu para contatos, links, etc...


Now-Z: Entao jão! Contatos ae sao: MYSPACE/NOWZIAS  para ouvir os sons e para contato imediato pela internet é robin_nariz@hotmail.com 
Queria tambem agradecer pelo espaço cedido e a todos que acreditam no meu trabalho. 
"COM O PENSAMENTO VERDE, O MUNDO NÃO É TÃO CINZA"
SALLVE!


Agora, fiquem com o single. Ta foda demais!



Now-Z - 2Mil E Sempre


Lançamento de "Mestre Xim - The Unknow Family Guy" + Entrevista

Salve! O DJ/Produtor Mestre Xim está lançando hoje seu novo trabalho intitulado "Mestre Xim - The Unknow Family Guy" - em primeira mão aqui no blog - e nós trocamos uma idéia com ele. O cara produziu o CD com falas do desenho "Uma Familia Da Pesada" e com beats cabulosos demais. São 11 faixas ótimas, onde Xim deixa mais visível ainda sua criatividade e habilidade com a produção!






OutroMundo: Nos fale um pouco sobre você. Como foi o teu começo na música? De onde surgiu a idéia de ser DJ/Produtor?

Mestre Xim: Cara, meu começo na música foi meio que bem espontâneo e ao mesmo tempo bem direto. Meu pai toca guitarra desde os 16 anos, ou seja, foi uma parada bem natural. Eu lembro que eu ia aos ensaios e ficava fascinado, principalmente pela bateria. E comecei a tocar batera com uns 5 até uns 11 anos. Qualquer brecha eu tava lá batucando.
E a respeito da idéia de ser DJ/Produtor veio exatamente depois que meus pais se separaram, consequentemente quando eu parei e desanimei com a bateria e descobri a música eletrônica. Com 12 anos eu lembro que baixei o Fruity Loops e comecei a tentar algumas coisas, nada ligado ao RAP. E com 13 entrei no curso de DJ, nesse ano nem produzir eu produzia ainda. Enfim, com 15 anos eu meti a cara na produção e fiz uns remixes com uns parceiros do RJ (Street Mix, Psy, Ba Mix) e consegui por 5 deles na FM "O Dia".
E o interesse pelo RAP veio exatamente quando eu estava desanimado com produção.
Em 2006 eu comecei a ouvir direto, e até hoje ta estourando nas minhas caixas de som sem dúvidas.


OutroMundo: Você já trabalhou, e está trabalhando em que projetos?

Mestre Xim: O meu primeiro som oficial realmente foi no Catranco 33.
Um grupo que no final de 2005 pra 2006 era uma idéia e na metade de 2006 aconteceu.
No início era Eu, Peste e Scoop, depois entraram vários integrantes que deram a característica ao grupo: Kblan, Caslu, Nego, Pachá, Skill e James. Em 2007 rolou o meu primeiro trampo e de geral 'físico', "Catranco 33 - Mixtape Coletivamente". Outubro de 2008 fiz uma parceria com o Pachá e lancei um CD com ele chamado "O Despertar da Verdade". Ano passado lancei meu álbum de remixes, porém lancei só na internet. Pus um beat ano passado em uma mixtape que vai sair esse ano de um DJ lá da Colômbia, DJ Dap. Esse ano estou lançando esse EP doidão aí, e tem vários projetos por vir.

Mestre Xim - Trip To Chile, uma viagem ao Chile trazendo uma re-leitura de várias músicas folclóricas e tradicionais do Chile.
Mub Connections Vol.01, vai ser uma coletânea com vários parceiros: Ribah (U-Flow), Wallace (Fluxo), Walli, Pachá, Kblan, Gil (FB), Drope (CS22), Dj Soneca. Fora 4 participações confirmadas lá de fora: Klose (USA), ATP (CAN), Wuser (POR) e SOULJAHZ 4 G.O.D (ALE).
Eletro Blues - Face a Face, é um projeto que estou fazendo com o meu Pai, blues com uns toques eletrônicos, desde o RAP até ao eletro.
E tem um projeto que por enquanto não estou com o nome confirmado, mas é com um irmão meu, o Skill. Vai ser um projeto só com samples daqui do Brasil.
Fora esses projetos fiz estágio no estúdio do Fábio Fonseca, que produziu o primeiro CD do Gabriel O Pensador.


OutroMundo: Nos fale um pouco da MUB Records. O que é? Como surgiu? Quem integra?

Mestre Xim: É uma idéia ainda, felizmente o processo é lento e enquanto caminhamos a gente vai vendo o que realmente é necessário e quem realmente integra. Enfim, a idéia é um estúdio e selo de gravação totalmente independente, focado não só na produção de RAP, mais em produção e gravação em geral, de bandas, voz, vinhetas, e por ai vai. Quem integra realmente sou Eu, o Skill, meu Pai, meus projetos e o que eu ver que realmente vai pra frente. A idéia era pra ser mais gente, porém nem tudo é como a gente quer.


OutroMundo: Vinil vs. MP3. Qual você prefere para samplear?

Mestre Xim: Depende. Não tenho muita preferência... Se eu sentir que o sample me transmitiu alguma coisa, eu sampleio. Mas pela sonoridade é vinil, sem dúvidas.







OutroMundo: O que você usa como Software para produção?

Mestre Xim: Somente Acid Pro 6.0, fora Plugins e Vsts.

OutroMundo: O que te inspira para produzir? Quais são suas influencias?

Mestre Xim: Eu gosto de produzir sozinho. Acender um incenso e o natural (não que seja 100% necessário). Eu gosto de ser bem espontâneo, não fico semanas mexendo em um beat, é bem raro. Minha maior influência é Madlib no RAP e em produção, fora isso a minha maior base é Miles Davis e meu Pai.



OutroMundo: De onde surgiu a idéia de fazer um EP com o tema de um desenho (Uma Família Da Pesada)?

Mestre Xim: Cara, eu sou fã desse desenho, é muito bom. Considero o melhor que anda rolando por aí, apesar de ser considerado terrível por fazerem críticas hipócritas (porém bem reais) com bastante humor, e também pelo fato de ter bastante humor negro e por aí vai. Porém, o intuito do desenho eu curto. A idéia veio quando vi uns episódios que tinha trechos de músicas que os personagens cantavam, outras eram apenas flashes no meio de alguma cena. Peguei também umas falas e adicionei em certos momentos, mas também usei em duas bases samples que não tirei do desenho.


OutroMundo: Xim, valeu pela entrevista. Parabéns pelos trabalhos! Esse momento é seu para recados, links, contatos etc.

Mestre Xim: Opa, obrigado. Primeiramente gostaria de agradecer pela entrevista e por vocês manterem esse blog que como tantos outros são muito importantes não só para a cena independente, mas por raridades que não são mais encontradas em sebos ou em qualquer outro meio de compra de música. E fora isso, gostaria de deixar um feliz ano novo para todos e pedir a todos os produtores, DJ’s e Mc’s, e até no nosso cotidiano para não termos medo de ousar, vamos fazer diferente, vamos ser únicos.

Obrigado a quem baixou e a quem leu a entrevista.
Paz!



Mestre Xim - The Unknow Family Guy






 


 Contatos:

Orkut: mestre xim mub records ®
Myspace: www.myspace.com/mestrexim | www.myspace.com/mubrecords
Twitter: www.twitter.com/mestrexim
E-Mail: mestrexim@gmail.com



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Aniversário da Vanguarda do Rap Nacional + Novo som do RAPdura

Hoje, dia 11 de Novembro, a Vanguarda do Rap Nacional esta fazendo 1 ano de vida, com muita correria, realizaçoes e muita, mas muita vontade.
Me orgulho de fazer parte dessa família, e sei a importancia de cada um la! Parabens!
E, a VdRN ganhou um presente muito bom, de um MC que tem um flow fantastico, letras incriveis, e alem de futuro, é o presente do Rap Nacional: MC RAPdura. O som vem em primeira mao, e tambem estara na Fita Embolada.






A Vanguarda do Rap Nacional, tambem entrevistou o RAPdura, e pra quem quiser conferir a entrevista, clique aqui!
Parabens ao RAPdura pelo som, e pela VdRN, por tudo que ja fez, e faz.

Mais infos:
Projeto Amigos Da Net
Vanguarda do Rap Nacional
Comunidade Vanguarda do Rap Nacional
Orkut Vanguarda do Rap Nacional

OutroMundo Entrevista: Nave


Outromundo: Nave, quando e como você começou a fazer RAP: a escrever e a produzir?
Nave: A escrever comecei moleque, de brincadeira em 1998, depois foi acontecendo naturalmente, principalmente depois do Savave. Produzir veio como uma necessidade, não gostava muito daquele lance de "pegar beat gringo", precisava de algo que fosse meu.

Outromundo: Quando o Savave apareceu, como foi?
Nave: Foi meio estranho, no começo era só eu e o Wil, a gente vivia fazendo freestyle e escrevendo sem compromisso algum. Certa vez o Wil chegou com uma rima e no meio da letra ele apreviou uma frase que ficou como "Savave", desde aquele dia fiquei com a palavra na cabeça. Então em 2002, teve um show com a Rhima Rhara aqui em Curitiba, estava todo mundo da banca e acabei conhecendo do Caio (Elo da Corrente), a gente trocou uma ideia e ele pergunto qual era o nome do meu grupo, não tinha grupo algum, mas sem pensa eu falei: "meu grupo é o Savave...", a partir disso nos nascemos.

Outromundo: Como foi a entrada do Thiago Pródigo e a saída do Wil do grupo?
Nave: A gente foi convidado pra fazer uma música pra coletânea chamada Upground Beats, do Nel Sentimentum, acho que era 2004. O Thiago começou a andar muito com a gente, principalmente com o Wil, e o Wil teve a idéia de coloca ele no Savave na mesma época que aconteceu o convite pra coletânea, no começo fiquei com um pé atrás, mas resolvemos fazer uma especie de teste, colocamos o Thiago no som da coletânea, a princípio como participação, se ele representasse estaria dentro. No fim ele acabou caindo como uma luva no grupo. O Wil saiu por vontade própria, acho que em 2005.

Outromundo: Como foi a idéia e a execução da PromoTape - Feito Sob Medida, como foi o processo, as produções, gravações, mixagens, etc?
Nave: Foi bem simples, era uma ideia velha, mas ficamos enrolando uns dois anos pra por em prática. Quando resolvemos fazer mesmo, a ideia era alcançar um bom numero de pessoas fora de Curitiba, e também "passar um pano" pro album do Savave, a forma mais rápida e eficaz de se fazer isso era atraves da internet. Então reunimos cinco sons que estavam na gaveta e fizemos um novo, "Deixa Que É Nóiz", regravamos todos pra que ficasse uma qualidade padrão em todas as músicas, isso foi feito em 3 sabados. Não nos preocupamos muito em atingir uma "supermegaplus" qualidade técnica, até porque não tinha como, mas fizemos assim mesmo. Lançamos 200 copias de um mini-CD, mais como material promocional, uma semana depois do lançamento da promo colocamos pra download. Pra nossa supresa ela foi bem recebida e colhemos bons frutos. Isso determinou uma mudança considerável pro caminho que o disco iria tomar.

Outromundo: Vocês deixam bem claro na introdução da PromoTape, que era um tipo de "aperitivo" pro álbum oficial. Como anda o processo desse álbum oficial, o que você pode adiantar aí de participações, o processo, produções, etc?
Nave: Começamos a gravar no final de julho, nos beats tem vários caras, não vou citar todos, porque até o final do processo muita coisa pode mudar, mas certos tem Renam Samam, Théw Franklim, Dario, Cabes e Munhoz. Em relação a participações, se houver será um ou duas pessoas, estamos definindo ainda.

Outromundo: Sobre produção, O que você usa, em softwares e equipamentos, pra produzir?
Nave: De softwares uso o Fruity e o Soundforge, todos esses softwares que todo mundo usa, atualmente to aprendendo a mexe no Reason. Equipamento tenho um PC, um controlador midi e varios discos.

Outromundo: "Vinil Vs. MP3" na parte de produção. Como você vê isso?
Nave: Eu tenho 26 anos, ainda sou da época do vinil, da epoca que se esperava mêses para aquele CD chegar na loja, porém, hoje com o mp3 esse lado mais romantico do fã de musica acabou, tudo fico fácil demais e tudo que é facil demais de certa forma se torna descartável, o ser humano tem uma tendência a não dar valor a coisas assim, um valor real, saca? Então, sempre vou dar preferência absoluta para o vinil, sempre vou estar num sebo qualquer garimpando, esse é o tipo de coisa que deixa meu dia melhor, é terapia. Mas contudo, não descarto o uso do mp3, como beatmaker que vende beats tenho que ser pratico e rapido pra atende algum pedido mais especifico, então tenho que correr junto com esse nosso novo tempo e me adaptar conforme ele muda. Não gosto de samplear de mp3, mas é um mal necessário pra se manter no "jogo" hahaha.

Outromundo: Você tem projetos paralelos a esse álbum do Savave?
Nave: Sim, estou produzindo algumas faixas do disco do Valete (Portugal), uma MixTape pra marca de roupa Sallve, algumas do disco do Ogi e outras produções que estão incertas por enquanto.

Outromundo: Você tem planos de fazer uma MixTape, com faixas exclusivas dos artistas em beats seus?
Nave: Para agora não, mas acredito que isso é inevitavel, em algum momento vou fazer. Quando fizer quero ter uma grana pra pagar cada pessoa envolvida e quero estar num patamar de produção mais aceitavel pra mim mesmo.

Outromundo: Quais são suas influências, tanto na escrita quanto na produção?
Nave: Na música, sendo bem específico, Stevie Wonder, Djavan, Cassiano e muito samba. Nos beats J Dilla, Hi-Tek e Premier. Nas rimas Jay-Z, Common, Mos Def...

Outromundo: O que você anda ouvindo ultimamente?
Nave: Tenho escutado muita coisa, de rap é até dificil porque todo dia sai alguma coisa e você acaba não ouvindo nada direito. Mas tenho ouvido muita música regional nordestina.

Outromundo: A música Desabafo, que você produziu prio D2, está na Trilha sonora de uma novela Global, no "horário nobre", como você vê isso, música de sua autoria tocando na televisão no "horário nobre"?
Nave: Pô, acho legal pra caralho (risos), fico feliz e acho que isso tem que acontecer mais, nao só comigo, tem vários maluco com muito talento no rap aqui. Quero mais MC's no patamar do D2 em relação a midia, indo em programas de TV, fazendo propagandas ou o que for. Precisamos disso pra pararmos de lamentar o "porque" que algumas coisa não acontecem, se queremos ser o mínimo que os gringos são no rap temos que dialogar com os grandes meios, saber fazer a politica, sabe? É como o Leandro fala, "por que não nóiz?".

Outromundo: Nave, em algumas entrevistas o Kamau falou que foi na sua casa, ficou uns dias fizeram umas bases pra terminar o disco, etc. Como foi isso, ele colar aí, vocês fazerem as bases pro disco dele aí, como foi o processo de produção de vocês nesse meio tempo em que ele estave aí, trabalhar juntos e tal?
Nave: Foi muito bom, fluiu naturalmente, o Kamau trouxe umas idéias pra desenvolver, alguns samples pra usar e em 4 dias fizemos 11 beats, desses 5 estão no CD. A vibe foi muito boa, o trampo desenvolveu facil.

Outromundo: E o processo de produção seu para a MixTape do Emicida, como foi?
Nave: Bem direto, conheci o Emicida e ele logo me convidou para participar, mandei alguns beats por e-mail, dois deles viraram a "Preciso" e a "E.M.I.C.I.D.A. (Adoooro)", depois ele veio fazer um show aqui em Curitiba, ficou mais uns dias aqui em casa, acabo fazendo mais três sons, desses três, um é a "Oooorra" e a outra é "Fica Mais Um Pouco", fico ainda uma inédita por aqui. Foi outro trampo que fluiu naturalmente.

Outromundo: E o mesmo processo com o Marcelo D2, como foi, como ele chegou até você, como tudo aconteceu?
Nave: Eu tava produzindo o CD do Jacksom, ele ouviu as produções e quis me conhecer, fui até São Paulo pra mostra umas batidas e ele gostou muito do que levei, escolheu quatro que vieram a se tornar "Thats What I Got", "É Preciso Lutar", "Assim Que Se Faz" e "Lapa". O beat da "Desabafo" quase entrou nesse CD, chegou aos 48 do segundo tempo, mas tudo tem sua hora pra acontecer. Resumindo, meu processo com o Marcelo é muito tranquilo, ele me da liberdade total pra criar, é muito gratificante trampar com alguém que influenciou muito na minha visão sobre o rap.

Outromundo: Bom Nave, esse é os eu momento para deixar seus links, seus recados, cobranças, agradecimentos, contatos, etc.
Nave: Valeu todo mundo que acompanha o meu trampo e visitem :
www.myspace.com/savave
www.myspace.com/navebeats
www.twitter.com/navebeatz
É isso, um sallve a todos os leitores, e vamos trabalhar!


De Repente: Poetas de Rua

Postei à um tempo atras, 2 trailers de um filme sobre poetas. De Repente: Poetas De Rua. O filme é produzido pelo Arthur Moura, que esta acompanhando desde o final de 2004, todo o tipo de poesia encontrada pelas ruas do Rio de janeiro. Aqui ficam mais 5 vídeos pra voces. E pra quem nao viu os 2 primeiros, clica aqui!

1- Trailer:


2- Depoimento de Joao Velho:


3- Roda de Freestyle:


4- Batalha:


5- Samba No Buteco da Lapa:


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Ouvindo: NaS - Street Dreams

OutroMundo Entrevista: Arthur Moura




Outromundo: Quando você começou a se envolver com o RAP, e produção musical?

Arthur Moura: Estudei violão erudito e popular durante uns cinco anos no Conservatório de Niterói, mas antes disso tocava em bandas. Isso foi mais ou menos em 1999 quando conheci o Wallace. A gente tocou punk, depois passeamos pelo heavy metal em bandas cover metalica, iron maiden... aí formamos uma banda só para tocar sons próprios (isso foi mais ou menos em 2001, 2002). Wallace sempre teve uma pegada mais da rua mesmo. Sempre misturou rap, com outras temáticas mais soltas, e isso no metalzão que a gente fazia (risos). Aí depois resolvi sair da banda e montar um homestudio, que se chamou "202". Foi aí que eu e Wallace começamos a produzir nossos sons, videos, etc. A produção me deu mais visibilidade, pois comecei a conhecer mais gente (não que tocando isso não acontecesse) e enveredar para o rap mesmo.


Outromundo: e estúdio, a princípio, tinha mais gravações de rap?

Arthur Moura: Em princípio não, sempre foi rap! Não sei porque, mas as coisas aconteceram muito rapidamente. Talvez por eu ter começado a fazer batidas e o próprio meio que eu tava ali propiciou isso. Lembro-me de um dia o Rabu ter batido lá em casa, depois conheci o De Leve que mora na minha rua, depois lembro que conheci o Dropê, aí já fui conhecendo aquela muvuca toda da Lapa! (risos). Então comecei a produzir os meus próprios amigos.


Outromundo: O processo seu de começar a fazer as bases mesmo, foi influênciado por quem, pelo o que?

Arthur Moura: Cara... acho que isso já veio na verdade daquela influência que o Wallace botava na nossa banda de rap saca. Pra te falar a verdade eu tinha aversão ao rap, mas depois conheci outras coisas legais que me aproximaram mais da produção. Acho que quem me influênciou de verdade mesmo foram os meus amigos cara. Sabe porque? Eu tava naquela fase frenética de ouvir os raps nacionais e tinha muita gente que fazia batidas. Por exemplo aquela galera lá da Lapa, o Dropê EJC, o MV Hemp, o próprio De Leve que sempre levava a MPC dele lá e fazia as batidas na hora aí eu ficava doido né! Eu tenho um amigo lá do interior de Goiás chamado Marcelo Martins que foi forte influência também. O cara segue aquela linha do Anticon, Dosh, Why?, Aliás... aí já viu! Mas é claro que o rap gringo também fez a diferença Eu gosto muito do Mos Def... versátil!


Outromundo:
O que usava pra produzir naquela época?

Arthur Moura: Eu tinha uns equipamentos bacanas. Bom pc, microfones bacanas e tal. De programas eu sempre usei o clássico Fruity Loops, até porque nunca consegui mexer em MPC. Acho muito complicado!


Outromundo: E hoje em dia?

Arthur Moura: Cara... hoje em dia eu tô viajando em outras coisas. Não produzo tem um ano. Estou estudando muito. Curso História, estou envolvido em pesquisas acadêmicas e tenho lecionado para alunos do primeiro período também na Universidade. Mas tenho trabalhado em vídeos. Estou em processo de montagem do meu documentário "Poetas de Rua" e tenho produzido uns clipes. Ontem mesmo terminei um clipe de uma banda de rock chamada EIZA. Na verdade a academia está sendo um bom local para aprimorar idéias! Estou escrevendo uns artigos sobre o rap independente, sobre a cena e tal... coisas que observo de bom e ruim que rolam na cena. Enfim.


Outromundo: Pretende voltar a produzir, Ou vai ficar só com os vídeos mesmo?

Arthur Moura: No momento quero trabalhar mais com vídeos. Mas tenho gravado algumas coisas com Wallace. Mas vamos vou voltar a fazer as batidas logo mais. Na verdade, eu e Wallace já estamos com o quarto disco pronto, mas só gravamos as prévias. É um disco bem legal, menos eletrônico, com violões seguindo uma linha popular, bossa nova, samba, melodias bacanas... mas não deu tempo ainda de terminar por causa dessa dedicação que estou tendo na Universidade. O disco já tem até nome! "Caleidoscópio" ou "Linhas Diminutas".





Outromundo: Nessa sua tragetória na música, você nunca se escreveu algumas letras?

Arthur Moura: Sempre escrevo. Mas ficam guardadas... na verdade não são letras né, são
rabiscos de poesias e tal... algumas eu dou para a minha namorada! rs Escrevo nas barcas, gosto às vezes de sentar no meio do centro do Rio de Janeiro numa daquelas escadarias e escrever de acordo com a movimentação da cidade. Gosto muito da escrita assim como a leitura, mas não me limito a poesias. Gosto da linha acadêmica de artigos, pesquisas, áreas mais científicas. Por isso venho pensando em escrever alguns artigos sobre a cena do rap no Rio. Sobre toda a maquinária que é essa coisa do "viver independente", lançar um olhar mais objetivo sobre essa questão. O problema é que ninguém lê! (risos).


Outromundo: O Fluxo, tem três discos que foram lançados somente na internet. Como você vê isso de lançamentos só pela internet, foi opção, ou necessidade?

Arthur Moura:
As duas coisas! Temos Relatoatividade, O Som do Tempo e o Prévia do Amanhã que só foram lançados virtualmente. Cara... é aquela coisa né... a gente é independente, e meio que começamos a fazer música a todo vapor! Esse fator aliado ao pouco dinheiro gera conflitos. Como lançar três discos na pista? A gente sempre gastou muito no estúdio e isso também complicou. Outra coisa é que o Fluxo só tem eu e Wallace. Nós dois só para segurar a onda. A necessidade de divulgar falou mais alto. Aí decidimos disponibilzar tudo na net sem essa de ficar esperando ter grana pra lançar, até porque nunca tinhamos mesmo! Mas isso ao mesmo tempo limita né... é complicado pra caramba, porque você tem que ser produtor, MC, beat maker, etc etc etc... (risos).


Outromundo: E o Documentário que você está fazendo, nos fale um pouco dele.

Arthur Moura: Então... quando vai ser lançado só Deus sabe! (risos). O filme vai se chamar "Poetas de Rua". Comecei a filmar em 2004 muito despretenciosamente, depois vi que aquilo daria um bom documentário. O filme é sobre uma outra cena do rap que não costumamos muito ver em "evidência". Esse ano fiz as últimas filmagens e a edição já tá na metade. Fiz mais de 70 entrevistas com pessoas do rap, do repente, da embolada , professores de História, Dj´s, etc. Não é um filme com superprodução, nem com grandes aparatos. Pretendo lançar no ano que vem, quiçá esse ano. Tudo vai depender de grana (e da boa vontade do meu PC que tá fudido!). Ali busco mostrar o improviso em si... em suas diversas formas, mesclando com shows, samba em butecos, poetas bêbados, assuntos como mercado, poesias, etc... Acho que filmei mais ou menos umas 80 horas no total... o filme deve ter mais ou menos uns 70 minutos. Espero lançar em breve pois é um registro bem legal!


Outromundo: Quem esteve envolvido na filmagem, e está na edição e produção?

Arthur Moura: Cara... 90% fui eu que filmei. A edição também sou eu que estou fazendo, roteiro etc. Mas é claro que ninguém é uma ilha. Eu já poderia ter lançado isso há muito tempo, mas seria egoísmo da minha parte não ouvir a opinião dos meus amigos que estão envolvidos no filme, pois quando se trata de retratar algo em sua forma documental tem que haver todo cuidado do mundo, pois são pessoas de verdade ali representadas. Então às vezes convido amigos para ir na minha casa opinar sobre a edição. Dessa edição que estou no momento já mudei mais de 10 vezes pois cada um que vai lá adiciona algo muito importante no espírito da coisa. Então eu sou só a parte mecânica da montagem, pois quem está montando é um montão!


Outromundo: Influências, mano. Quais são suas influências, inspirações, referências, etc. No seu trabalho?

Arthur Moura: Então... acho que é mais ou menos aqueles caras que te falei antes... amigos. E gringos gosto muito do Anticon cara. É algo ainda pouco conhecido, mas sei lá... é um rap musical, ousado, despreocupado, despretencioso e sagaz. Anticon é um coletivo formado por um monte de cara maluco que faz o que sai e deu! Acho que são esses caras que influenciam mesmo a minha música. Agora parte de videos... eu amo filmes né... não fico uma semana sem ir ao cinema. Gosto muito do João Jardim, Eduardo Coutinho, Win Wenders, Daren Aronofsky... são esses caras que de certa forma vão me guiando!


Outromundo: O que você tem escutado ultimamente mano?

Arthur Moura: Why?,Quinteto em Branco e Preto, Max de Castro!


Outromundo: Bom mano, esse é o seu momento, deixe aí recados, cobranças, agradecimentos, contato, link, etc.

Arthur Moura: Valeu. Primeiro é agradecer a oportunidade de expressar algumas idéias né! Acho que estamos num momento muito legal da produção artística como um todo, pois observo que estamos "perdendo o medo" de apresentar nossos ideais. E o rap é essa coisa tão vasta, ampla, que dá vazão a todos esses sentimentos! Um abraço!
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www.myspace.com/arthurmoura




Segue um texto de Arthur Moura, "Quem Dita As Regras?":


Quem dita as regras?

(o choque cultural e o comportamento da cena independente do rap no Brasil)
Por vivenciarmos um complexo de transformações no campo cultural, mais especificamente na arte (e é bom lembrarmos que cultura é todo um conjunto onde a sociedade, ou algum grupo, exterioriza suas concepções, idéias, costumes, formas de relacionamento), vejo a possibilidade de uma discussão que tem como objetivo principal a observação das especificidades da cena independente do rap no Brasil. Lembrando que às transformações e o processo cultural é dado uma maior relevância nesse texto, quero excluir o confrontamento pessoal para com alguns protagonistas e sim situá-los num contexto político, ideológico e que muitas vezes seguindo uma demanda ou uma lógica mundial, empurram todo um comportamento a determinadas tendências, muitas das quais mercadológicas. A relação dos costumes e tradições do Brasil com o que vem de fora é dada, na maioria das vezes, uma maior importância. Essa relação reflete um comportamento globaritário, e nisso o pensamento de Milton Santos se faz valer, que é impulsionado por diversos tipos de violência, a começar pelo ferimento de costumes locais. O contato e relações culturais são passíveis sim de transformações quando aproximadas de forma
mais íntima, mas com isso não queremos dizer que desse contato venha a nascer a intransigência e idéias de valores implicando a superioridade de uma cultura sobre a outra. Quando se chega nesse estágio trocas não são possíveis e sim a imposição do mais forte (seja lá o que isso queira dizer) sobre o mais fraco, do melhor sobre o pior, do mais aceito pelo que tem menos importância. Quando caímos nesse estágio a idéia de cultura vai-se pelo ralo. Historicamente falando é delicado falar de contatos culturais, já que sempre houve esse tipo de troca entre diversas civilizações. Não existe uma cultura melhor do que outra, costumes ou tradições que possam ser postas num ringue a fim de se extrair dali o mais forte. Costume é costume, cada qual som suas características e sem julgamento de valor. É sobre isso que a singularidade de cada povo se forma. Porém todo um contexto histórico impõe outro tipo de relação entre pessoas e isso se faz valer desde a Antiguidade, passando pela Idade Média, período Moderno até chegar ao Contemporâneo. Hoje o que observamos é uma forma violenta de globalização que empresas, multinacionais, órgãos internacionais exercem de forma espantosa nossas vidas. Com isso não devemos de forma alguma excluir a participação dos protagonistas corroboradores dessa barbárie, pois há conceitos éticos que entram forte nessa discussão. Por mais que o homem seja mercadoria (na concepção de Marx) e seja uma corrente mecanicista, não devemos fazer vista grossa com a ética, pois dessa forma estaríamos livrando o homem de ser homem. O rap no Brasil é recente e tenta agora caminhar de forma independente. Porém o que não se percebeu ainda é que relações humanas não podem ser postas dentro de um recipiente e se reproduzir a mesma experiência em locais diferentes. Com isso estamos caindo num grotesco erro que nos é imposto como verdade. Em outras palavras, não cabe reproduzir a mesma corrente cultural, ideológica, ou o que quer que seja de forma idêntica em diferentes localidades onde diferentes seres humanos se manifestam. Ao se chocar, culturas diferentes passam a sofrer reações específicas e de forma “natural”. Ou seja, a idéia é que ao se chocar as trocas culturais possam realizar-se com a não sobreposição que vá acarretar o fim de alguma sobre a outra. Em paralelo a isso há uma reação contrária, e aí incluo alguns colegas como reprodutores desse tipo de comportamento, mundializada que tende a padronizar a cultura de um determinado local. Ou seja, esses protagonistas a que me refiro acatam um rap americanizado com todos os seus vieses para o território brasileiro onde esse tipo de comportamento não se torna algo representativo para a nossa realidade. A partir dessas observações podemos nos situar na cena nacional, onde os protagonistas a que me refiro são os MC´s, DJ´s, produtores e todos que formam a cultura hip hop. É claro que quando falo do choque de culturas (arriscaria a dizer que essa cultura que falamos nada mais é do que uma cultura-econômica), não generalizotodas as manifestações existentes, pois existe sim dentro de cada localidade grupos que ainda preferem beber da fonte local para formular melhor os costumes. A minha pouca experiência na cena me habilita a afirmar isso. Não chamaria esse movimento que tende a permanecer mais fiel às suas raízes de “resistência”, mas sim uma forma mais inteligente da não padronização do rap no Brasil. É claro que com uma cultura vinda de fora vem também valores introgetados, e essa cultura ao chocar-se com a outra não se mantém estática, aliás inalterações aí tornam-se impossíveis. Com isso quero dizer que, ao chegar ao Brasil, o rap trouxe consigo toda uma estrutura já iniciada em solo estrangeiro. Não vamos cair aqui na questão se o rap surgiu na Jamaica, nos Estados Unidos, no Nordeste brasileiro ou com Homero. Então ao chegar ao Brasil, o rap já trouxe consigo toda uma conduta que vai desde a rebeldia do negro e todos aqueles que de alguma forma são desprivilegiados socialmente, trouxe costumes, um linguajar característico, formas de se vestir e de se comportar, ou seja, toda uma vestimenta cultural já própria. Observamos também nascer com eles todo um esquema de marketing (e tudo que envolve marketing e propaganda temos que ter todo um cuidado com que tipo de idéia, imagem e visão quer ser passada) que fez com que o rap se tornasse hoje fenômeno mundial. Não podemos omitir o notável processo que o rap enfrentou para popularizar-se mundialmente (mas devemos sempre nos lembrar: à custa de que?). Porém, uma imagem massificada de um rap envolto de conceitos que não representam uma fiel ascensão de valores ligados aos seus protagonistas iniciais são os mais presentes no Brasil. Em outras palavras, o verdadeiro nascedouro do rap com todo o seu engajamento político é dificilmente posto em prática pelos que formam hoje a cultura hip hop. A profissionalização do rap hoje é tida com grande importância. Nada mais justo que viver do que se ama. Mas aí caímos em mais uma questão. O que é ser profissional no Brasil? Essa profissionalização hoje vem acarretar a perfeita inclusão de uns e o escanteio de outros. Quando não se dá mais espaço àqueles que estão começando, ou seja, aqueles que ainda produzem de forma mais “barata” um determinado tipo de arte, exclui-se de forma violenta e mesquinha todo um processo natural do espírito artístico. O que quero dizer é que não é levado a sério aquele cuja produção envolve recursos modestos. Quando leio a entrevista de um determinado artista vinculado a Nike dizendo que só há espaço para os “profissionais”, tenho a idéia de que só poderão participar do processo criativo artístico os que jogarem de acordo com as regras do mercado. Ora, nada menos democrático do que a formulação de um discurso puramente ideológico, violento e desrespeitoso com àqueles que também bebem da mesma conjuntura artística
e estão presentes no mesmo bojo cultural. Isso gera um problema ainda maior que é o monopólio da cena por esses poucos que com seus valores se acham mais aptos que outros e, tendo uma maior repercussão, indicam outros que consideram tão aptos quanto eles. Em outras palavras, os que agora se acham profissionais apadrinham outros com esse mesmo tipo de mentalidade. Mais uma vez volto à pergunta. O que de fato é ser profissional? É um maior espírito inventivo, investigativo e proeminente ou aquele que preza por um maior aparato tecnológico e mercadológico para fazer valer suas idéias? Vocês poderão pensar na possibilidade de uma combinação harmoniosa entre os dois. Sim é possível. Mas, será que todos os artistas necessitam e querem ter suas idéias vinculadas a um tipo de profissionalização que nos fazem acreditar ser o único caminho possível? Conforme já disse, não se exclui a possibilidade de mesmo atrelado a recursos mais faustosos termos bons resultados artísticos. É claro que a partir do momento que o resultado artístico passa a sofrer qualquer tipo de alteração que seja estranha ao criador, isso passa a se tornar discutível. Olhando mais de perto é errado afirmamos que só o mercado dita as regras. A questão vai muito além disso. O mercado, ciente de sua força e influência, dita as regras. Há aqueles que em detrimento dos seus valores, conceitos éticos e bom senso seguem essa força e com isso violentam sua cultura local. E há os que mesmo sendo subordinados pela força do dinheiro vêem nesse processo de globalização ferramentas mais amenas e não destrutiva dos valores de cada um respeitando e sendo íntegro com o próximo. Então volto a perguntar, ligar-se a grandes indústrias implica necessariamente na troca de valores? Diria que não necessariamente, mesmo que muitos exemplos possam me desmentir com facilidade. Hoje um artista dispõe de outros meios para propagar suas idéias, o que não implica na sua completa dependência de grandes esquemas fonográficos. As vezes penso na grande quantidade de talentos perdidos principalmente na primeira metade do século XX por não estarem ligados a um grande aparato mercadológico pois é confortável afirmar que não havia público para determinado estilo ou um espaço para vincular determinadas idéias. Coisa que nunca faltou nesse mundo é gente querendo conhecer coisas novas. Aí entra a pergunta. A quem se quer agradar? Ou melhor, a quem se quer vender? Mesmo sendo coagido por uma força não há uma obrigatoriedade em se submeter a essa força ao ponto de desestruturar todo um processo artístico. Nessa idéia de força também podemos citar um conceito pueril tribalizado que os protagonistas dessa cena têm em relação uns com os outros. É mais forte quem tem uma galera maior, quem idealiza discursos que tendem a ser encarados como um único caminho a se seguir, e muitas vezes nisso deixa-se de fazer música para fazer política ideológica a favor de suas ações. Faz-se valer então a idéia de superioridade onde os mais aptos são os que dispõe de todo um aparato que vai desde o dinheiro oferecido por uma tendência globaritária e usufruído por estes que dispõem um mercado frágil e que conseqüentemente ditam as regras sobre àqueles que, a seu ver, não são profissionais e não fazem o rap de verdade. Existe hoje no Brasil outra camada artística em paralelo a esses conflitos que emanam em proeminência artística que por não serem vinculados em grandes escalas passam despercebidos e omitidos por rappers que habitam uma cena mais explícita num âmbito mercadológico. Pretendo com essas poucas observações não fomentar mais uma disputa de força e sim uma reflexão sobre o que hoje entendemos por mercado, cultura, formas de se fazer arte e o espaço que a cada manifestação tem direito. Ganhar a vida com a arte é perfeitamente possível, mas ainda não é uma realidade por egoísmo de alguns. O grande problema da construção do conhecimento não chegar até todas as pessoas ou a um maior número possível é a conformidade de alguns em não achar necessário que esse conhecimento chegue até todos. Por isso dizem ser o conhecimento um poder, pois ao não achar necessário essa maior expansão e se concentrando nas mãos de poucos, o conhecimento torna-se de fato poder transformando-se numa ferramenta de dominação de uma maioria ignorante. Já no meio cultural onde o espírito inventivo não é diminuído por uma simples força do mercado, vemos um perigoso processo de ocultação dessas forças criativas por toda uma tendência globaritária, mercadológica e mesquinha que alguns insistem em seguir para justificar um status pouco representativo para o crescimento da cultura como um todo. A partir do momento que, em detrimento de benefícios próprios, alguns artistas propõem-se a caminhar junto de um esquema que exclui o outro, compartilho a idéia de que “pode ser um profundo equívoco visualizar a arte como uma simples expressão do espírito”, onde Peter Buker expõe o cuidado ao
analisar as diversas manifestações artísticas.

Arthur Moura

OutroMundo Entrevista: Marechal



*Batemos um papo há algum tempo, com o Marechal, sobre os trabalhos, gostos, origens, música, etc. Por preferência do próprio Marechal, a entrevista foi re-editada pelo mesmo, com as palavras escritas mais informalmente ("internetês"), pra mostrar mais naturalidade, e infomalidade da conversa.



Outromundo: Marechal, quando e como foi seu início no RAP?

Marechal: Comecei no início dos anos 90 influenciado pelo Basquete, assistia os vídeos para estudo e lá continham as batidas e as rimas.. aos poucos eu já estava no ritmo.. na mesma época por intermédio de um amigo que nunca mais vi, Téo (salve onde estiver irmão, obrigado de coração) ouvi Racionais MC's, Gabriel o Pensador e a coletãnea "Tiro Inicial" que foi o primeiro registro do Rep do RJ... nessa época eu já tinha algo escrito mas ainda só os esboços...


Outromundo: Sabemos que tem várias músicas suas antigas, gravações caseira até, na internet, em que ano fazia aquilo?

Marechal: Foi mais ou menos em 1999. Eu gravava para praticar mesmo, mostrava para alguns amigos e tal. Mas tudo aquilo não passavam de experimentos, estudos, testes... E tudo isso muito imaturo em termos musicais... parte do processo pra chegar no momento de agora.


Outromundo: Quando e como surgiu o Quinto Andar?

Marechal: No início a ideia era uma união das pessoas do Hip Hop, os quatro elementos. Tinham grafiteiros, B Boys, DJ's e MC's. Mas depois, por acaso mesmo, ficaram apenas DJ's e MC's, se tornou um coletivo apenas de RAP.


Outromundo: Quando e por que você saiu do Quinto Andar?

Marechal: Saí quando deixei de acreditar em algumas pessoas envolvidas. Em 2002 se bem me lembro.


Outromundo: Depois que você saiu do Quinto Andar no que você começou a trabalhar, em algum projeto solo ou formou mais algum grupo, ou coletivo?

Marechal: Continuei fazendo o que eu sempre fiz, seguindo meu coração, tentando aperfeiçoar minha técnica, tentando me informar ao máximo para dar continuidade a missão. O fruto desse trabalho que vêm sendo feito "sozinho" desde quando eu saí do Quinto Andar, é a Batalha Do Conhecimento, a grife de roupa, e o 'Vamos Voltar A Realidade'.


Outromundo: Nos fale um pouco mais detalhadamente de cada projeto. O que é a Batalha Do Conhecimento, quais são os planos?

Marechal: A Batalha do Conhecimento é um projeto que desenvolvi á partir do momento em que passei a ver as batalhas de MC's tradicionais muito limitadas. Muito infantis e sem fundamento muitas das vezes.
A Batalha do Conhecimento é um evento que vai da tarde até a noite, Começando com exibição de um Filme, depois um debate relacionado ao filme e depois uma batalha de MC's voltada mais para a criatividade, com grande interação dos expectadores, que oferecem os temas a serem rimados. Acredito que Esse formato gerou coisas muito boas para a cena do Rio De Janeiro nos últimos dois anos.
Agora é o próximo passo, a ideia é expandir para outros estados e países de lingua portuguesa tb com o mesmo fundamento.


Outromundo: Marca de roupas. Á partir de que saiu esse projeto, como surgiu a ideia, como chama a marca?

Marechal:
Venho fazendo roupas há algum tempo. Tenho sociedade numa marca que se chama 'TUJAVIU' e cobre legal todo o território do Rio de Janeiro. Agora estou com uma nova que se chama 'MURO', que tem o foco na mistura das artes urbanas, as coleções são inspiradas nas músicas e toda coleção sairá com um disco, a idéia é que as peças complementem a mensagem das músicas expandindo o sentimento.


Outromundo: Com qual disco sairá a marca?

Marechal: A primeira coleção é 'Espírito Independente' que é uma música que venho mandando nos shows há algum tempo e agora terá sua gravação oficial. Que na verdade, apesar de todas as coisas antigas e amadoras que já estão na net há quase uma década, será a minha primeira gravação oficial.


Outromundo: O álbum, 'Vamos Voltar A Realidade', Vai ser seu álbum oficial?

Marechal: O conceito é esse. A ideia é lançar no dia 7 de setembro desse ano. Não terão muitas faixas, minha ideia é ir fazendo aos poucos, e buscando inspiração com o tempo. Nunca tive pressa, meu processo criativo é do jeito que eu gosto, e prefiro, fazer. Tenho meu tempo e meu método. Não quero me enquadrar em padrões, quero fazer minha música livre, como sempre foi. Por isso, talvez, a demora. Prezo muito pela qualidade, e sei a responsabilidade que é fazer música de mensagem. Portanto, no meu tempo, Vamos Voltar A Realidade, na rua.


Outromundo: O que você pode adiantar do seu álbum, vai ter participação de quem, quem vai assinar as produções, quantas faixas serão, vai ser lançado independente, como vai ser?

Marechal: Vai ser lançado independente, as Produçoes são minhas, com colaboração de Damien Seth, Luís Café, Xará, DJ Martins, e mais Grandes Músicos como Donatinho, Ramom Torres, Felipe Pinaud, Marlon Sete, Coral Boca Que Usa, entre alguns outros. As participações são de Carlos Dafé, Gutierrez, Helio Bents (Ponto de Equilibrio), Emicida entre outros também a confirmar. E na verdade, tudo vai depender do momento da gravação, das músicas que soarem melhor com o conceito do disco. Ao meu ver cada disco é como um livro, tem que ter um conceito e seus capítulos bem formulados, para a mensagem eternizar.


Outromundo: Antes de sair o seu álbum oficial dia 7 de Setembro vai rolar algum single oficial na net, sem ser com o audio de show e tal, ou o álbum todo de uma vez?

Marechal: tudo depende do planejamento, coisa que estou fazendo nesse momento. o site está a caminho e por lá estarei reportando as ações. (em breve www.umsocaminho.com.br)


Outromundo: Onde está sendo gravado, quem está mixando?

Marechal: está sendo gravado no meu estúdio. Quanto a mixagem, meu projeto é fazer com o Steve Sola, o engenheiro que mixa as coisas do Mobb Deep, que também já trabalhou com alguns grandes, como Jay-Z, Notorious B.I.G. entre outros, e tb algo com o Ken Lewis que fez algumas coisas do Kanye west, Usher entre outros.


Outromundo: A respeito de produção. O que você gosta de samplear, como é o seu processo pra produzir, como você prefere fazer, como que é a sua vibe pra produção?

Marechal: Tudo depende do tema do som. as vezes faço a letra antes, e em outras vezes faço primeiro a base pra escrever sobre algo que ela me passe.


Outromundo: Como que está de show no momento?

Marechal: Tudo tranquilo, rítmo bom, trabalhando bastante. Aprendendo sempre e focado para passar a mensagem em mais lugares possíveis.


Outromundo: Marechal, sempre vemos nos lugares em que o seu nome está envolvido a frase: "Um Só Caminho...". Como surgiu essa frase, qual é a filosofia que isso representa?

Marechal: É a filosofia que eu sigo:
Um só caminho é um estado de espírito, o sentimento pode estar em mais de um lugar ao mesmo tempo, se representado por mais de uma pessoa. Imprime a sensação de o todo ser um e de um ser o todo. Para essa onipresença ser possível, é preciso confiança, compreensão, continuidade, respeito e, acima de tudo, que um acredite e enxergue a si no outro. A idéia é que funcione como um organismo, onde cada parte exerce a sua função e o todo depende e precisa, indispensavelmente, de cada uma delas. Um só caminho é baseado na filosofia taoísta, que propõe a restauração do estado pleno de vida e consciência, chamado Tao (caminho). Para isso, utilizam-se vários meios, como as práticas que promovem a boa saúde física e mental, o estudo de clássicos escritos pelos grandes mestres do passado, os métodos místicos para a restauração da ordem interna e fundamentalmente, a meditação, como caminho de autotransformação e elevação espiritual. Assim como o Bushido, é um código de honra não-escrito. Cada pessoa trilha seu próprio caminho, já que existem vários caminhos como o caminho da cura pelo médico, o caminho da literatura pelo poeta ou escritor, e muitas outras artes e habilidades. Cada pessoa pratica de acordo com a sua inclinação. Um só caminho define, pelo respeito lealdade e disciplina, sem discípulos e sem hierarquia, a união desses caminhos em prol de um objetivo único. UM SÓ CAMINHO...


Outromundo: Quais são sua influênicas dentro da música, e fora dela?

Marechal: Músicais são Racionais MC's, Krs One, Chico Buarque, John Coltrane, Miles Davis, Gil Scott Heron, Jorge Ben, GOG, entre outros milhões, mas ultimamente, não tenho ouvido quase nada, estou muito focado em colocar os projetos em prática, portanto, fora música minha influencia é a família, de sangue e de rua.


Outromundo: Marechal, esse é o seu momento, deixe ai seus recados, links, contatos, agenda, myspace, fotolog, agradecimentos, cobranças etc.

Marechal: Agradeço a todos os que compreendem a luta, jamais vamos nos render!


respeito aos verdadeiros..

Espírito Independente ao vivo no Redbull Break

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umsocaminho@gmail.com ou pelo (0xx21) 8252-4180

Em breve um site oficial reportando as ações: www.umsocaminho.com.br

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